28/12/2007

Sociedade da Guerra


O HOPLITA


Há uma dezena de anos, o mundo dos especialistas em Antiguidade grega foi abalado pelo trabalho de Victor Davis Hanson, professor da Universidade da Califórnia. Desde então, as polêmicas não cessaram de circular ao redor das hipóteses e idéias apresentadas no livro O Modelo Ocidental da Guerra, com um subtítulo mais explícito: A Batalha da Infantaria na Grécia Clássica. Examinando de perto o sistema político-econômico das cidades gregas e as narrativas das batalhas de época, o historiador propõe uma teoria que é, desde então, adotada por quase todos os especialistas anglo-saxões em questões militares. Hanson testou suas hipóteses exaustivamente: seus estudantes na Universidade da Califórnia vestiram réplicas de armaduras gregas de metal e, sob o sol do deserto californiano, fizeram exercícios com armamentos de bronze pesando até 35 kg.
Existiria assim um "modelo ocidental de guerra", e os gregos dos séculos VIII e VII a . C. seriam seus inventores. Este modelo se resume da seguinte forma: preferência clara, às vezes dominante, pelo choque frontal e pela batalha decisiva; vontade de obter um resultado claro em prazos reduzidos; vontade de marcar uma separação clara entre o amigo e o inimigo de um lado, e, de outro, o tempo da guerra e o da paz.
Já se sabia que cada povo, cada civilização, possui uma forma particular de fazer a guerra. Os cronistas sempre insistiram neste ponto, e os trabalhos dos antropólogos contemporâneos apenas confirmaram este saber empírico. Mas um "modelo ocidental da guerra", sobretudo aquele que interessava a Hanson, supõe ser comum a um número considerável de civilizações, por vários milênios. Temos, então, o direito de nos questionarmos e de usarmos de prudência intelectual. De fato, não estamos apenas diante de uma arte da guerra tal como praticada por um povo bastante estabelecido em uma época precisa e limitada, pois, segundo nosso autor, os gregos das cidades antigas inventaram um modelo de guerra que foi adotado posteriormente por todas as civilizações ocidentais, de forma mais ou menos consciente. Modelo que encontra, assim, sua conceituação teórica com os escritos militares do general prussiano Carl von Clausewitz, nos primeiros decênios do século XIX, empregados nas hecatombes da Primeira Guerra Mundial.
A tese de Hanson é de extrema importância, não somente porque propõe uma grade de análise de vários milênios de arte da guerra, o que não é pouco, mas ainda porque pretende provar que a "matriz" do Ocidente, que foi a civilização das cidades gregas da era clássica, não deu origem somente aos modelos nos campos político, filosófico, científico e artístico, o que é normalmente admitido há séculos e constitui até mesmo uma espécie de clichê, mas também no campo militar. Será preciso, então, colocar o hoplita grego ao lado de Péricles, Demóstenes, Platão e Aristóteles, como figura fundadora da nossa civilização ocidental.

O CONCEITO DE CIDADE PARA OS ANTIGOS GREGOS, NÃO SE LIMITA A UM ESPAÇO FÍSICO DETERMINADO. MAS, SIM, AO LUGAR ONDE OS CIDADÃOS SE ENCONTRAM

O modelo guerreiro inventado pelos gregos entre 700 e 500 a.C. é inseparável do sistema político da cidade - a democracia - pois não é nem mais nem menos que o seu produto. Então, o que é uma cidade para os gregos? Ao contrário do que seríamos levados a crer, não se trata de um lugar, de um espaço físico situado numa cidade ou em qualquer outro aglomerado no sentido urbanístico do termo. Trata-se, em essência, de um conjunto de homens livres decidindo coletiva e livremente o destino de sua comunidade. Conseqüentemente, a cidade se encontra onde se encontram seus cidadãos. Se todos estes embarcassem em navios, como os atenienses fizeram diversas vezes devido aos perigos que os ameaçavam, a cidade encontrar-se ia sobre os navios e não mais sobre Atenas. Aliás, a literatura do tempo nunca fala de Atenas, prova da pouca importância dada a aglomeração urbana enquanto tal. Enfim, como a cidade poderia indicar apenas um conjunto urbano e arquitetônico, desde esta época, quando a maioria dos cidadãos habitava extramuros, e eram camponeses vivendo em suas terras?
A cidade se encontrando onde se encontram os cidadãos, é natural que possua uma extensão sob o campo de batalha, e que a formação tática adotada por estes mesmos cidadãos seja o reflexo de sua organização política, ainda mais que a atividade guerreira é, sem dúvida, uma das mais importantes aos olhos dos gregos, ao lado da agricultura. Este sistema, que emerge no século VIII a.C., é tanto político quanto econômico. Ele se origina de uma nova categoria sócio-econômica - a dos pequenos proprietários rurais - que, possuindo as terras desde o surgimento dos grandes domínios micênicos, caso único em todo o Mediterrâneo de outrora, beneficiam-se do direito de possuir armas individuais. Além disso, durante o mesmo período em que se viu o fim da Idade do Bronze, o trabalho com ferro se generalizou, tornando as armas mais sólidas e, conseqüentemente, mais mortais, enquanto as armaduras e os capacetes vão permanecer em bronze, mais flexíveis e mais leves. Devemos dizer que estes homens estavam bastante decididos a defender a qualquer custo suas posses, e que eles se consideravam capazes de fazê-lo, principalmente contra as suas cidades vizinhas, e isto a fim de evitar que os imensos domínios da época micênica pudessem ser reconstituídos.
Assim, se coloca progressivamente em prática um modo de guerra bastante particular, característico deste conjunto de civilizações e, sobretudo, perfeitamente adaptado aos objetivos político-estratégicos específicos, mas igualmente muito limitados. A vontade dos fazendeiros gregos é, então, de defender não somente a realidade de seus campos, mas também a idéia, o princípio da inviolabilidade de seus domínios e a propriedade privada, mesmo quando as devastações de culturas por eventuais invasores de cidades vizinhas sejam pequenas e pouco expressivas.
Tendo adotado nesse meio tempo o princípio tático da infantaria pesada, aperfeiçoada pouco antes pelos assírios, os pequenos proprietários rurais gregos reduziram consideravelmente os papéis táticos da cavalaria aristocrática e da infantaria leve (munida de armas de arremesso, como dardos, arcos e fundas) saída das camadas mais pobres da população. A infantaria pesada dos hoplitas iria, assim, se tornar o núcleo armado das cidades gregas. Este sistema tático é, na verdade, o reflexo de um sistema político. Assim, os exércitos vão contar, na frente de batalha, com quantidades impressionantes de soldados de infantaria poderosos, disciplinados e, sobretudo, motivados. Circunstância que vai representar considerável vantagem militar sobre as armas das monarquias orientais, compostas de mercenários e aristocratas, ou na maioria dos casos, de homens vivendo totalmente à margem da sociedade.

Os hoplitas das cidades gregas eram equipados com uma armadura cobrindo todo o tronco, de um elmo, de grevas (parte da armadura que protegia do joelho ao pé, espécie de caneleira), de um pesado escudo de madeira reforçado com metal, de uma espada curta e de uma lança de aproximadamente dois metros de comprimento. Neste ponto, os gregos ainda se distinguiam claramente dos bárbaros, geralmente munidos de armas de arremesso. Assim, da estrita ótica da lógica tática, a infantaria pesada apresentava graves inconvenientes: lentidão nas marchas, dificuldade de manuseio das armas, e quase incapacidade de evolução sobre terrenos acidentados, comuns na Grécia. Entretanto, tais inconvenientes eram deliberadamente escolhidos para surpreender o inimigo pela sutileza da manobra.No cenário de um sistema estratégico onde sempre combatiam entre adversários similares para alcançar objetivos limitados, os fazendeiros gregos recusavam, de fato, toda outra forma de combate que não o choque frontal mais violento - e o mais rápido - no qual a infantaria pesadas dos hoplitas era, na verdade, de perigosa eficácia.

Apesar do elmo proteger todo o rosto, a partir do século V a.C., o seu uso foi abandonado por ser muito incômodo.
Guerra extremamente ritualizada e decidida de maneira democrática, permitia evitar as incessantes e intermináveis escaramuças praticadas por toda a parte. Quando precisavam resolver um conflito, as cidades gregas reuniam seus cidadãos livres e combatiam numa planície agrícola adaptada para o conflito. O combate era mortal, mas o tempo da batalha durava apenas algumas horas, previamente estabelecidas de comum acordo entre os contendores, como se fosse um evento esportivo. Dessa forma, a violência e a guerra estavam estritamente concentradas no tempo e espaço. O tempo de guerra era bastante distinto do tempo de paz, e as algaras (expedições guerreiras ou incursão de cavaleiros num território especialmente para provocar tumulto e destruição), as emboscadas, as invasões, as perseguições, testemunhos do caráter interminável dos conflitos e da situação de insegurança permanente, eram, então, eliminados. Enfim, nascidos destes encontros, surgia um resultado claro e nítido, com um vencedor e um vencido claramente incontestáveis. O historiador britânico John Keagan também resumiu o princípio da batalha hoplítica grega: Os gregos em serviço armado votavam também por uma nova espécie de guerra, voltada para o mesmo fim do processo democrático: um resultado instantâneo e sem equívoco. Bem entendido, o corolário desta busca do evento decisivo é que a violência, antes difusa e ainda relativamente humana, tornou-se, ipso facto, desumana e de intensidade raramente alcançada durante os séculos anteriores.
GRANDE PARTE DOS INTELECTUAIS GREGOS TEVE EXPERIÊNCIA MILITAR. SÓFOCLES FOI UM DELES. ELE COMANDOU AS FORÇAS ATENIENSES DURANTE A GUERRA DO PELOPONESO
Na planície agrícola, os dois exércitos se enfrentam durante longo momento sob um sol inclemente. Os chefes discursam às tropas para encorajá-las mas, embora este procedimento apresente os limites de comportamento de forma bem clara, os hoplitas recorrem freqüentemente ao álcool, e bebem desbragadamente durante os minutos que precedem o combate. Os autores das comédias gregas, que viveram quase todas as experiências de batalha, assim como os filósofos e escritores, não deixaram de ridicularizar o fato de seus compatriotas não conseguirem controlar a bexiga e os intestinos nesses instantes dramáticos, petrificados que estavam pelo medo. Aristófanes, o comediógrafo autor de Lisístra, entre outras peças, garantia que uma falange exalava mau cheiro a várias dezenas de metros. Os homens vestiam as armaduras e os elmos apenas no último momento, já que os 35 quilos de bronze do equipamento não podiam ser suportados por muito tempo no calor do verão. Depois, o embate era iniciado e as duas falanges se arremessavam uma contra a outra, em uma corrida de aproximadamente 200 metros. O choque era assustador, e ouviam-se gritos selvagens e gemidos de dor. Prensados uns contra os outros, com a cabeça coberta por um elmo que oferecia apenas uma visão limitada, os homens pouco enxergavam e distribuíam golpes ao acaso, inclusive sobre seus próximos e seus aliados vizinhos. Contava apenas a pressão que devia ser exercida a qualquer preço sobre a massa inimiga. A última fileira pressionava as primeiras e pisoteava os corpos dos mortos e dos feridos, amigos e inimigos.
Informações da época dão conta de que grande parte das perdas era devida ao pisoteio durante o combate e não tanto pelos golpes de armas. Ao fim de algumas dezenas de minutos, um dos dois campos cedia. Abatia-se moralmente, perdia a coesão e se deixava levar pelo pânico, ou seja, pelo domínios do deus Pan, o mestre do caos. Os guerreiros procuravam fugir o mais rápido possível deste inferno, livrando-se de seus equipamentos e evitando ser pegos pelo exército inimigo. Uma vez que os inimigos fugiam, os vencedores não os perseguiam para exterminá-los, pois as pesadas armaduras impediam qualquer ação complementar. Nos dias seguintes, os adversários vinham, em comum acordo, recolher seus mortos e os vencedores edificam um mausoléu no local do combate.
Tal prática de guerra revela uma ideologia, e procura tanto torná-la possível quanto a justificá-la. Esta ideologia dava ênfase, a qualquer preço, à disciplina e à coesão da falange. Assim, o pesado e enorme escudo dos hoplitas servia tanto para proteger aquele que o portava, quanto o homem situado imediatamente à sua esquerda. Aristóteles fará disto um dos maiores símbolos da democracia, da igualdade e da solidariedade reinando no interior da cidade. Abandonar este escudo para assegurar a coesão da falange era considerado como um ato de extrema covardia. A falange, ponta-de-lança do exército grego A força da falange é a coesão. Quando estão perfeitamente alinhadas, são praticamente invencíveis. As primeiras fileiras golpeiam o inimigo com lanças, enquanto são empurradas pelas fileiras que vêm atrás. A arte da infantaria consiste em avançar de forma unida, esforçando-se para não perder o equilíbrio sobre um solo coberto de armas, feridos e mortos. Esta firmeza na marcha em direção à morte - de outros ou à sua própria - não era, entretanto, obtida ao preço de um fanatismo religioso qualquer. Além disso, este processo tático democrático, referindo-se à coragem guerreira e excluindo toda covardia, é acompanhado paradoxalmente de uma crítica permanente do militarismo. Como destaca Hanson, constata-se a onipresença dos grupos literários, religiosos, políticos e artísticos para os quais a guerra devia ser justificada e explicada, e que pudesse, às vezes, impedir o emprego imprudente da força militar. A submissão dos guerreiros gregos à crítica artística, literária e religiosa levava a questionar os meios e os fins no sentido de um debate que viria sempre a refinar e a ratificar o ataque helênico, mas do que se opor a ele.
Mas, o ponto mais importante desta construção ideológica é a exaltação do combate frontal e do corpo-a-corpo. Para os gregos, qualquer outra forma de combate era considerada covarde, indigna, bárbara e desprezível, assim como os guerreiros combatendo à distância, por meio de armas de arremesso, ou como aqueles que privilegiavam a astúcia, a emboscada e o ataque pelas costas.

Esta construção ideológica será exaltada por uma cultura durante vários séculos, inclusive quando o sistema começa a entrar em decadência, a partir do século V a.C., marcando a oposição dos gregos aos modelos político-militares do Oriente. Alguns séculos mais tarde, os romanos recuperarão esse modelo e o Ocidente medieval vai imitá-los. Há 2.500 anos, todas as civilizações ocidentais fizeram o mesmo, e os arquétipos ideológicos inventados pelos fazendeiros gregos no século VIII a.C. vivem ainda na nossa cultura, tanto popular quanto militar. Os clichês sobre a suposta "velhacaria" dos orientais comprovam esse fato.
Criado com objetivo não apenas democrático, mas de certa forma "pacifista", já que se trata de impedir que a guerra não perdure por muito tempo, este modelo de guerra cedeu espaço, no decorrer dos séculos e através de múltiplas transformações, à cultura a mais mortal e a mais eficaz de todos os tempos. Os conflitos do século XX comprovam.
DA PLUMA À ESPADA
Grande parte dos intelectuais gregos tem experiência militar. Aristóteles e Platão se apaixonam pelas questões militares. Não se sabe se Aristófanes participou de uma batalha, mas é certamente o que mais conviveu com os combatentes, visto os detalhes presentes em suas peças. Em compensação, sabe-se que Sócrates participou de três batalhas, Potidéia, Anfípolis e Délion. Ésquilo combateu em Maratona contra os persas. Sófocles foi comandante das forças ateniense quando da conquista da ilha de Samos, durante a guerra do Peloponeso. Enfim, Demóstenes participou da batalha da Queronéia, em 338, batalha que representou a derrota das cidades gregas para aos conquistadores macedônios. Quase todos os historiadores gregos tiveram longa experiência militar, principalmente Tucídides, autor de A Guerra do Peloponeso, e Xenofonte. Ambos tiveram experiência militar antes de escrever.
O AUTOR
Laurent Henninger é responsável pela Comissão Nova História do Centro de Estudos da História da Defesa, e dirigiu os registros das Jornadas de Estudos da História Militar e das Ciências Humanas. para a editora Complexe.

21/12/2007

Vida de Hoplita

Pydna, 168 a.C

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Muitas estórias foram contadas daquele dia, mas uma em especial, marcou profundamente o fim trágico da Batalha pela Liberdade do Reinado da Macedônia. Na hora mais crítica do combate, fora solto, preso por ordem do próprio Rei Perseas e sua ambição pela glória, um General que fora leal a seu Pai durante anos. Havia tanto amor e admiração dos soldados e capitães do exército por ele, que ao questionar sob a sua ausência no exército, fez com que por pouco, um regimento inteiro perdesse a cabeça, Macedônios iriam matar Macedônios por vontade do próprio Rei e seu orgulho, frente as suas imperfeições imorais, o fato era que ele não conseguia suportar o evidente, o Exército e o Povo amava mais o General do que ao próprio Rei, e a este General confiaria inteiramente a própria vida futura e a vida de seus amados, mas não ao Rei.

O Exército macedônio e sua Falange feroz, sucumbiu, pois estava com seu coração dividido, sendo comandada por um jovem inexperiente e extremamente arrogante e ambicioso, que não se importando com a vitória ou a derrota e menos ainda com a vida de seu povo e de seus soldados, acreditava que independentemente do resultado do confronto, permaneceria Rei... ingenuidade e egoísmo que custou caríssimo a vida do meu povo,do seu exército, e de sua honra, e o mais importante... a sua liberdade. Durante o decorrer do combate, os capitães comandando as Falanges, treinados exaustivamente por tal General preso, equilibraram o combate de forma que a vitória seria questão de tempo e paciência, mesmo lutando contra ferozes Elefantes e um Legião corajosa e forte. Perseas o Rei, pomposo e sentindo-se um deus entre homens, certo de que a vitória era certa de qualquer forma, e da superioridade da raça macedônia, ignorou todos os conselhos do "Círculo de Conselheiros Fiéis ao General preso", e ordenou que a falange, avançasse terreno acima, até que os romanos desertassem. Sem experidência qualquer em combater, não percebeu que se isso ocorresse, a falange iria ter de escalar o cume que havia por detrás das linhas romanas, e dessa forma se desalinharia, e Falange sem Disciplina é como uma Criança em uma briga contra um adulto... ordenou ataque total, sem auxilio da sua cavalaria pesada... logo, deixou o campo de batalha, acompanhado por quatro mil cavaleiros da aristocracia, cavalaria pesada, habilidosa e que poderia fazer a diferença quando a Falange tombasse, cavalaria que sequer chegou próxima ao combate. Muitos deles desejaram ficar e lutar, pois nem todos os ricos filhos da sociedade macedônia aristrocrata, possuiam afinidades com o Rei Perseas, e ambições tamanhas como a dele... mas a ordem do Rei era clara, eles deveriam retornar junto ao Rei.

Em uma provisão próxima ao local do combate, afastados os olhares da carnificina, os soldados contra a vontade mantinham o General preso... depois de algumas horas refletiram sobre o mal que poderiam estar causando a macedônia, ao exército, ao povo e a sí próprios, e logo libertaram-o.

Rapidamente, montou em seu cavalo, que lhe acompanhara por anos, e disparou feito flecha em direção ao combate, questão de minutos viu os primeiros macedônios em fuga... ao chegar no local do combate, estava com os olhos banhados em lágrimas e frustrado com o que havia visto, no lado macedônio antes de cruzar o rio, os feridos chegavam sem parar, para aliviar as dores e retornar ao combate, mas em sua maioria os ferimentos eram mortais, e eles pereciam alí, as margens do rio Heróicamente.
Ao perceber a presença de seu Leal General, os feridos que ainda podiam ver e o pessoal de apoio, familiares e até os animais, se agitavam com gritos desesperados de esperança... era impressionante. No local em que ele estava, podia-se observar claramente, o moedor de carne que os romanos haviam montado para a Falange, agora fora de sincronía e adiantada. Um Batedor, ao ver o General, saiu em disparada para junto de Perseas avisar-lhe sobre a chegada dele no campo de batalha, e sob a situação desesperadora e a derrota iminente que sofreriam. Perseas ficou nervoso, temeroso que o exército se revoltasse contra ele, e que a cavalaria o abandonasse e fosse em direção a seu Comandante O General... Perseas partiu desesperadamente com os poucos que lhe eram leais pelo medo ou pelo sangue, somando quase a totalidade da cavalaria aristocrata que ja lhe acompanhava, para o vilarejo de Pydna, achando que aquele lugar seria seguro pelos próximos dias, até retornar para sua cidade e sua família. O restante da Cavalaria o abandonou, outros partiram para a Capital, e o restante, uns 500 homens, liderados por outro General de nome Ynos e companheiro leal e inseparável do General já solto, organizou os cavaleiros, e partiram em retorno ao local do combate com toda velocidade que as montarias podiam lhes dar.
O General, organizou os feridos, em questão de minutos, como líder e mestre nato da tropa, atravessou o rio, e realinhou a Falange de forma segura a medida que à ela era possível recuar para perto do rio novamente nas planície, os Hoplitas ao verem seu General, em ardo trabalho, bradavam tão alto, que comprometia a inspiração das tropas romanas, que exitavam de combater com tanta liberdade e confiança como haviam fazendo. General Ynos ao chegar com seus cavaleiros, de longe avistou o esforço de seu companheiro para salvar a vida dos Hoplitas, apesar da vitória já não ser mais possível, atravessou o rio e fez apoio para que enquanto o General conseguia revezar uma falage para lutar enquanto outra conseguia recuar e fugir, o lado esquerdo não sucumbisse. Seus Generais, conseguiram salvar 12.000 vidas, dos seus leais homens, com sua experiência e sua coragem de combater e comandar em meio a flechas, artilharia de catapultas, bigas, facas e pedras, ainda ciente de que mais 20.000 mil guerreiros, entre Hoplitas, Peltastes, Cavaleiros, e os bravos Trácios já haviam tombado, e outros que haveriam de tombar por seus graves ferimentos e não abrir mais os olhos.
Após 20 minutos da chegada do General, os homens que conseguiram evacuar estavam à uma distância consideravel e segura do local do combate. Ynos havia feito da mesma forma e com sucesso, recuoou os feridos e o restante da Falange do lado esquerdo, e ao voltar com os sobreviventes da sua cavalaria, 20 homens e mais os feridos leais que anciavam a própria morte ao invés da morte de seu bravo Comandante... viu de longe, o General e uns poucos cem homens feitos prisioneiros, a vitória romana era total, milhares de corpos marcavam o lugar, o rio já vermelho de sangue, chorava a derrota bruta e inconsequente dos macedônios... marcava-se naquele lugar o fim do que Felipe e Alexandre haviam legado...
De longe, Ynos, viu seu companheiro, O General ainda lutar e derrubar alguns centuriões romanos antes de ser brutalmente morto com uma espada no peito direito...

É indescritível o sentimento de perda daqueles homens... os prisioneiros, ao serem removidos, tentavam passar a mão, uma ultima vez em seu Comandante morto, e em sinal de respeito os romanos permitiram tal acontecimento pois também haveriam de chorar seus mortos, e observando isso, o líder em campo romano, interrogando alguns prisioneiros em suas provisões, já fora do campo de batalha, descobriu a verdadeira identidade daquele Homem que resistiu bravamente antes de morrer, que causava ao gritar a prontidão a morte dos combatentes macedônios... e mais parecia que os trovões ao sentirem-se subordinados a tão alto grito e determinação, ajoelhar aos pés dele, os homens bradavam e lutavam melhor, sem se importar com a morte. Ele o admirou e o invejou, mas Lucio Aemilios Paulus também era Homem de Honra, e recolheu o corpo do General morto ao acampamento.

Antes das primeiras luzes do sol na manhã dia seguinte, Ynos e seus leais homens, cavalgaram próximo as provisões romanas, já avistados, desmontaram, e em ordem marcharam de forma serena em direção ao acampamento, Ynos viu quando os macedônios feitos prisioneiros, carregaram o corpo de seu General consigo, como a um Pai, por motivos que nós simples seres humanos, desconhecemos, pela nossa tão obscura visão para as coisas do Espírito, como Honra, Coragem, Hombridade Moral, Caridade e Benevolência... ainda estamos distantes do conhecimento mais original, destas virtudes.

Lucius Aemilios, espantando com tal atitude, deixou que se aproximassem a curta distância, cercados e apostos pelos centuriões que estavam apreensivos, ao quê, qualquer atitude brusca, os matariam. Ynos então, desarmou-se e ajoelhou frente a Lucius Aemilios, e pediu em nome do povo da Macedônia, povo que Lucius Aemilios havia derrotado, pelo corpo de seu General morto. Espantado com a coragem a audácia daquele Homem, ele questionou seu nome e sua importância, Ynos sem exitar, disse seu nome e quem era. Ao ver aquela atitude humilde e de subjulgação, foi piedoso, e este ato fez com que sua vitória tivesse se completado. O General mais perigoso havia sido morto, e o segundo que parecia de mesmo teor, havia admitido a derrota frente aos prisioneiros e a todo exército romano. Lucius Aemilios, homem honrado e digno, deixou ir os prisioneiros e o corpo do General macedônio, com um recado por Ynos...

Na tarde daquele dia, Ynos e seus homens, chegam a Katerini, trazendo o corpo de seu General, a cidade está em prantos... todos queriam se aproximar do corpo e tocá-lo uma ultima vez... logo, diversas estórias sobre aquele general e o seu feito antes de morrer, se espalham por toda a cidade e posteriormente por toda a Grécia, Trácia, Ilíria, e Ásia até o Egito... naquele mesmo dia, duas mais tarde, os romanos chegam a cidade.

Ynos comandou a resistência de Katerini próxima a cidade, foi um combate desigual e relâmpago, 2000 homens contra mais de 20.000. Foi uma luta relâmpago, pois seu único objetivo era não fazer do exército macedônio, a imagem e dignidade de seu Rei Perseas... um Covarde!

Ynos tombou feito Herói, e assim como os 1500 Hoplitas e 500 Cavaleiros que comandou não se deixaram fazer prisioneiros.

O corpo do General morto, foi entregue a esposa e filhos.

Ynos e Ele, tem próximo ao local do combate no monte Olocrus, Macedônia, hoje província da Grécia, uma lápide com dois brasões, eles foram cremados e suas cinzas jazem no campo em que lutaram. Contam os espíritos que lá combateram, dos sobreviventes daquela batalha, cada um levou uma peça de sua armadura e fincou próximo aos brasões. Os demais corpos dos mortos durante a batalha, foram cremados, e as cinzas de sua maioria foram depositadas aos pés dos dois Generais que jazem juntos, como irmãos, ao qual cresceram juntos, lutaram juntos e morreram pelo mesmo ideal e dever.

Perseas foi capturado naquele mesmo dia, e foi enviado a Roma junto com sua família.
Desde então, a Macedônia deixou de ser soberana, e nos dias de hoje, e hoje é província da Grécia contra a vontade de seu Povo.

Em Honra e Memória dos Generais, e em agradecimento ao meu bravo mentor e amigo Ynos.